Ronaldo Torquato leva a pintura a um estado de queimadura viva. A cidade arde em suas telas: nas cores, no grafismo nervoso, na dança das formas retorcidas. A emoção comanda o gesto - e o desenho deixa de ser descritivo para se tornar fogo na alma. Purgatório do peso da metrópole insana sobre o indivíduo indefeso.
Ronaldo já foi o pintor da meia-noite, que fazia dos bares seu ateliê e das toalhas de papel as suas telas. Agora ele é um laboratório vivo, tubo de ensaio que mistura toda a acidez do nosso cotidiano, cobaia que sofre na própria pele o anonimato da multidão.
Pintor dos labirintos de concreto / alquimista do espanto / sacerdote da boemia / arcanjo da pintura selvagem, Ronaldo Torquato é um herói urbano. Viajante lúcido das ruas e bares, que transforma as cinzas da desesperança em explosões coloridas que brilham como um renascimento.
Mario Margutti